domingo, 20 de junho de 2010

Aos olhos de uma criança

Eu nem ia escrever hoje, mas acabei de passar por uma situação que me fez ter idéias...

A história toda é a seguinte: na empresa que eu trabalhava antes, eu tinha muito contato com o pessoal do Rio de Janeiro e ficamos amigos. Fui pra lá a primeira vez há exatamente um ano (ontem fez um ano, na verdade) e desde então, toda a ligação que tinha com eles aumentou, especialmente com o pessoal que me hospeda. Inicialmente, eu era amiga da menina, fiquei amiga do marido e da filha. Com o tempo e o envolvimento emocional, ela se tornou minha irmã, o marido virou meu "mano doido" (como costumo chamá-lo) e a filha deles virou minha sobrinha (uma pessoinha linda, por quem eu tenho realmente um carinho de tia).

O mano doido tem um problema no rim e amanhã fará um transplante. Estou ansiosa há muito tempo, desde que me disseram que ele faria a cirurgia. E há muitos riscos envolvidos e toda uma preocupação, claro. Ele já está no hospital, até levou o computador e falei com ele pelo skype. Está tranquilo e disse que vai deixar pra pensar no assunto só amanhã, mas que quando ele foi pensar, já terá acabado.

Minha irmã está preocupadíssima, mas não passa isso pra ele, e me escolheu pra desabafar. Já trocamos emails, conversamos no skype, mensagens de texto, todos os tipos de comunicação e estou fazendo o máximo pra tranquilizá-la, mas sei que é bem difícil. Há pouco conversei com ela no skype e ela colocou minha sobrinha pra falar comigo, pois já faz muito tempo que não falamos e nem nos vemos (pelo menos nos finais de semana, as conversas são por ligações no skype e usamos as câmeras), mas hoje elas estavam sem o computador com câmera (que está com o mano doido) e apenas falamos.

Florzinha (um dos nomes que eles e eu chamamos minha sobrinha) conversou comigo assuntos de uma criança de 3 anos. Falou coisas sem sentido, todas atravessadas e eu respondia mais atravessado ainda, como uma criança de 3 anos também.

A parte que mais me cortou o coração e que eu segurei demais pra não chorar, foi quando ela disse "meu pai foi no médico e ele deitou lá". E foi a partir daí que eu tive a idéia de escrever o texto...

Quem me dera ter a visão dela. Quem me dera ter os olhos de uma criança! Ela não sabe o que tudo isso significa, não sabe dos riscos, das preocupações, dos motivos, não entende a gravidade da situação e muito menos as consequências. Pra ela, o pai apenas está fora de casa, no médico e deitado (embora a mãe tenha me dito que ela já perguntou bastante e chorou bastante também. Ela é muito esperta e fica ligada em tudo, o que faz com que a mãe tenha que ter cuidado com o que fala perto dela)

Faz mais ou menos meia hora que desligamos e a mãe disse que ia colocá-la pra dormir.
Dorme com os anjos, minha florzinha, tenha lindos sonhos! Papai do Céu vai cuidar muito bem do seu papai e logo ele estará de volta pra brincar com vc!

Ao som do "tic-tac" do relógio da sala...

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